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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2017

Mensagem da Quaresma 2017 D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga

Família, “casa” onde o outro se encontra e descobre
O ritmo da liturgia apresenta-nos, uma vez mais, a Quaresma como um tempo especial. São quarentas dias que Deus nos oferece para nos desvincularmos das preocupações quotidianas e nos centrarmos Nele. Nenhum de nós foi feito para a mediocridade. Olhar para Cristo é, por isso, o reconhecimento de que alguém nos supera, nos fascina e nos pede voos maiores. Em síntese, Cristo pede-nos uma vida nova centrada N’Ele. É possível que, para algumas pessoas, estas palavras sejam de difícil compreensão. O que significa uma vida centrada em Cristo? Significa reconhecer que Cristo está vivo e ocupa um lugar especial na minha vida. Significa também reconhecer que a Sua presença é, para mim, fonte de alegria. Admito que nem sempre “sentimos”, como gostaríamos, a presença de Cristo. Sentir como aquele que vê com os próprios olhos ou toca com as próprias mãos. Existe um certo Tomé em cada um de nós. A presença de Cristo é suave, subtil e quase impercep…

Ensinas-me a perder?!

Ainda não aprendemos a perder. Na escola ensinam-nos a resolver problemas e a ler nas entrelinhas. Ensinam-nos a ter fé nos sonhos e a acreditar que o conhecimento ajuda a realizá-los. Depois, saímos da escola e compreendemos que não aprendemos nada. Que nos falta tudo e que as nossas mãos não aprenderam a segurar os dias importantes. As pessoas importantes. Aprendemos que as mãos estão abertas demasiadas vezes. Que querem aceitar tudo. Mesmo o que não cabe nelas. Nem em nós. Com os dias que galopam à nossa frente, nasce-nos a consciência de estar às escuras no que é preciso saber para viver bem. Para que escola havemos de ir quando percebemos que não aprendemos o suficiente?! Como é que se começa tudo outra vez?! Não se começa. E a escola ficou, há muito, lá bem para trás.

Namorar...

“Sou um ateu especial”. O que Ricardo Araújo Pereira disse aos católicos

“Não sei se me vão expulsar do clube dos ateus por dizer isto, mas eu vejo uma função evidente e benigna na religião... desde que não exagere”. Em entrevista à Renascença, o humorista, que participou no Faith's Night Out este sábado, explica porquê.
“Sou um ateu especial”. O que Ricardo Araújo Pereira disse aos católicos Veja também: Rui Marques: "Nunca foi tão urgente a visão cristã estruturada em torno do amor" A formação em instituições católicas “que nunca quiseram forçar uma conversão” deu-lhe a capacidade de estabelecer pontes. Define-se como “um ateu que não vacila”, mas gosta do diálogo. Convidaram-no para ir ao “Faiths’s Night Out” – uma espécie de TED Talks sobre fé – dizer o que o mundo espera dos crentes e Ricardo Araújo Pereira admite que terá “expectativas mais elevadas do que o resto das pessoas”, precisamente por identificar valores comuns. O evento acontece este sábado, às 19h00, no Centro de Congresso de Lisboa.
O que é que faz um não crente num evento sobre…

"Nunca foi tão urgente a visão cristã estruturada em torno do amor"

É preciso "desocultar" a realidade para que os cidadãos não vivam num estado de medo e de incerteza, defende Rui Marques, um dos oradores do Faith's Night Out, marcado para este sábado. Rui Marques é formado em Medicina e em Comunicação Social, participou em várias causas sociais, nacionais e internacionais, com destaque para a Missão Paz em Timor – Lusitânia Expresso. Foi alto-comissário para a Imigração e é coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).
O seu tema no FNO é “Confiança, para que te cremos?”. A que se deve este apelo à confiança? O grande défice do nosso tempo é o défice da confiança. Sem confiança não há sociedade nem há futuro. É fundamental olharmos para o tempo da desconfiança que vivemos, para perceber que temos que a ultrapassar, porque a desconfiança associada ao medo leva-nos a um comportamento irracional, à destruição dos laços que nos unem enquanto sociedade e à total impossibilidade de construir algo positivo. O tema da confiança é absol…

Mestrado em sexo forçado?

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Não está nas nossas mãos começar nem terminar namoros alheios, mas está ao nosso alcance ficar disponíveis para ouvir e conversar sobre estes temas complexos e delicados, sem moralismos nem devassas.
Más notícias: os namorados violentos e as namoradas perversas multiplicam-se, são cada vez mais novos e mais agressivos. Deixam marcas indeléveis, físicas, morais, psicológicas e emocionais, e as suas vítimas podem ficar com traumas para a vida. No mínimo, ficam com percepções distorcidas sobre o amor e as relações a dois. Este mês de Fevereiro fica marcado por mais um dia dos namorados, mas também por uma nova campanha contra a violência nos namoros.

Eutanásia e o «mito da autonomia»

A solidariedade é sentida como o primeiro e mais expressivo dever de humanidade. Por isso se rebela a inteligência e o coração contra os muros que se erguem e contra os mortos que ninguém chora.
TAGS Uma só coisa é certa no debate da eutanásia: está em causa uma fronteira civilizacional. Ultrapassá-la ou defendê-la, depende da perspetiva. A questão de fundo é inelutável: a centralidade da autonomia, como valor antropológico e jurídico. É em nome da autonomia que se reclama o direito a decidir quando e em que circunstâncias podemos pôr termo à própria vida; é em nome da autonomia que se exige a assistência médica nesse momento singular; é em nome da autonomia que se postula uma leitura dignificante, altruísta, humanizadora do que até há bem poucos anos era sinal de barbárie… E é também em nome da autonomia que se condena qualquer visão diferente, catalogada como intolerante e sem direito de cidadania, porque, justamente, parece ameaçar a auto-determinação do sujeito.

AMO-TE SEM SABER COMO

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou seta de cravos que propagam o fogo: amo-te como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma. . Amo-te como a planta que não floriu e tem dentro de si, escondida, a luz das flores, e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo o denso aroma que subiu da terra.

O MEU AMOR EXISTE

O meu amor tem lábios de silêncio e mãos de bailarina e voa como o vento e abraça-me onde a solidão termina . O meu amor tem trinta mil cavalos a galopar no peito e um sorriso só dela que nasce quando a seu lado eu me deito

Namorar é caminhar. Fácil? Não, não é.

Hoje celebra-se São Valentim, dia dos namorados. Podia ficar por aqui e estaria tudo dito sobre esta comemoração comercial. Confesso que sou pouco romântico "por marcação" ou "por pedido". Explico-me. Ou o amor é um caminho que se percorre ou não é amor. Portanto, o dia 14 de fevereiro, ou foi o início de uma caminhada a dois ou não faz falta nenhuma no calendário do casal de namorados.Vivemos numa sociedade cada vez mais globalizada e comercial. O dia dos namorados é consequência desta vivência "interesseira". Ainda na semana passada escrevia acerca da queda do número de casamentos pela Igreja. E o Papa Francisco, já alertou, por diversas vezes,  para a nulidade sacramental da maioria destes. Muitos casais entendem que este sacramento é apenas uma bênção, um costume social para agradar a pais e família. A realidade sobrenatural é completamente esquecida.

A mulher é quem dá harmonia ao mundo, não está aqui para lavar louça

O Pontífice indicou que é necessário evitar se referir à mulher falando somente sobre a função que realiza na sociedade ou em uma instituição, sem levar em consideração que a mulher, na humanidade, realiza uma missão que vai além e que nenhum homem pode oferecer: “O homem não traz harmonia: é ela. É ela que traz a harmonia, que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bela”. Em sua reflexão sobre a Criação, a partir da leitura do Livro do Gênesis, o Papa Francisco se referiu ao papel da mulher na humanidade.

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2017

A Palavra é um dom. O outro é um dom.
Amados irmãos e irmãs! A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016). A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. L…

"Formar consciências e não substituí-las", mesmo sabendo que "Não há famílias perfeitas"...

XII Jornada da Família - "Não há famílias perfeitas"

A missão da Igreja é formar consciências e não substituí-las.
A família como lugar da experiência do infinito. Foi com esta mensagem que o Dr. Juan Ambrosio começou a XII Jornada da Família, sobre o tema “Não há famílias perfeitas”. Moderado pela Dr.ª Sofia Fernandes, vereadora da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão com o Pelouro da Família, desde o início se percebeu como o orador colocou todo o seu enfâse no valor família, afirmando que a mesma não está em crise. O seu otimismo e visão positiva da realidade, amada por Deus tal qual é, levou-o a afirmar que o objectivo da pastoral família é promover toda a família, mesmo aquela que não é cristã. Sendo a família um dom e uma tarefa, um compromisso corresponsável, ela assume uma responsabilidade na vida das comunidades, e deve ser vista como sujeito da ação pastoral e não como objecto.

Eutanásia, morte digna?

Como é possível que, num mundo cheio de mortes por ideologias fanáticas que pretendem um mundo limpo de infiéis, sem dignidade nem lugar, estejamos nós a discutir como matar para eliminar o sofrimento
Gostava de perceber o que se entende por dignidade. Para os defensores da eutanásia, esse tem sido um argumento. Mas dá vontade de perguntar: uma pessoa sofrida, em grande sofrimento, por uma doença ou situação “sem cura” perde a dignidade? A mãe a fazer o luto de um filho, por exemplo, ou um deficiente profundo, um doente “terminal” ou o Papa João Paulo II tremendo e babando-se nos seus últimos tempos, tornaram-se indignos? Não seria melhor “ajudá-los a morrer” ou, talvez, “matá-los piedosamente”? A resposta que me dão é que “faz muita impressão”, que “não há direito de deixar ali a sofrer”, que “a sua vida já só é um peso para si mesmo e para os outros” que “a sua vida acabou”, “que sentido tem?”; e por isso mais vale acabar mesmo… e nós ajudamos; claro… se for esse o seu desejo pedido …

Eutanásia: Debate em curso é sobretudo «uma batalha civilizacional»

Mandatário da petição «Toda a vida tem dignidade» diz que é preciso oferecer mais do que a morte.O jurista José Maria Seabra Duque, um dos mandatários da petição ‘Toda a vida tem dignidade’, diz que o debate à volta da eutanásia é decisivo sobretudo ao nível do tipo de sociedade que hoje “queremos construir”.“O que está em discussão é saber que resposta tem a sociedade a oferecer aos doentes, aos idosos, aos que sofrem. Oferecemos cuidados médicos, cuidados sociais, oferecemos o nosso amor e a nossa compaixão ou a morte?”, questiona aquele responsável, num texto enviado hoje à Agência ECCLESIA.

O suicídio não é um direito

O suicídio só pode ser um acto individual, não pode ser uma prática colectiva. Não pode ser um acto médico. A medicina serve para salvar vidas, não para exterminá-las. Chamemos-lhe Joana. Tem uma doença terminal, vive sozinha, vive com dor, já pensou em cometer suicídio mas recuou na hora final. Agora pede eutanásia ao hospital. Não a censuro. Como escrevi no livro “Alentejo Prometido”, não julgo os meus antepassados que cometeram suicídio. Cada suicida é um caso literário que merece amor, mesmo que seja um amor retroactivo e impotente perante o acto consumado. Há contudo uma diferença entre um suicida clássico e pessoas como a Joana. O suicida mata-se, não transfere a decisão fatal para outras pessoas. O nó à volta do pescoço e o passo no vazio são os actos finais de uma liberdade radical. A Joana, por sua vez, quer transferir para os médicos o ónus da decisão.

EUTANÁSIA - E SE AJUDÁSSEMOS OS OUTROS A VIVER?

Nunca fui autónoma, mas isso não me tornou menos digna em nenhum dos dias, desde que nasci. É por isso que não posso ficar em silêncio, numa altura em que nos preocupamos em como ajudar os outros a morrer
"Enquanto encararmos as nossas incapacidades como tragédias, terão pena de nós. Enquanto sentirmos vergonha de quem somos, as nossas vidas serão vistas como inúteis. Enquanto ficarmos em silêncio, serão outras pessoas a dizer-nos o que fazer” (Adolf Ratzka).
Sim, eu tenho 95% de incapacidade motora, avaliada por uma Junta Médica. Mas a minha vida nunca foi uma tragédia, apesar de todos os “tsunamis” que tive de enfrentar. A minha vida não é inútil porque sei que através dela posso ser relevante para quem acha que já perdeu a esperança.

EUTANÁSIA - Carta de Hilarion a Alis, endossada hoje à Assembleia da República

Agora que não há dor que não possa ser dominada com cuidados paliativos adequados, fica a dúvida se o que se pretende não será o “progresso” para uma sociedade sem piedade para com os mais fracos.
Hialarion era camponês, casado e, tudo indica, bom pai de família. Provavelmente era natural da região de Oxirrinco, uma cidade do Médio Egito. Como falava grego é possível que fosse descendente de colonos helenos, mas não é certo, porque após três séculos de governo Ptolemaico o grego era língua franca no Egito. Podemos supor que não tinha uma vida fácil porque a certa altura teve de ir trabalhar, por uns tempos, para a longínqua Alexandria. De lá escreveu, ou pediu a um escrivão que escrevesse, a seguinte carta para a sua mulher Alis: