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A mostrar mensagens de Setembro, 2016

Quando ser mãe muda o coração

Quando era jovem, comecei a trabalhar como redatora de "crónica negra". Era um trabalho duro andar entre hospitais, morgues, periferias onde ao amanhecer um traficante fora morto. Tinha pouco mais de 20 anos e todavia movia-me tranquilamente entre aquela morte, atenta a observar escrupulosamente os detalhes que deveria referir. Um homem morto num passeio não me impressionava excessivamente, nem sequer o coração se me apertava por piedade. Tinham-me ensinado que um cronista deve ser distante e narrar, como a objetiva de uma máquina fotográfica. Eu, diligente, obedecia. Anos depois comecei a ser enviada. Continuava a ver a morte, simplesmente ia para mais longe. Continuava a observar, distante. Depois, deve ter-me acontecido algo.