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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2014

Pensar a morte, pensar a vida

Pensar a morte, pensar a vida: a morte só pode ser vivida em «primeira-mão», ela toca-nos porque está presente em outrem que amamos, e daí nos chama à responsabilidade, à nossa condição de criaturas. Estar «às portas da morte» significa aproximar-me do «a-Deus». Este «a» significa abertura, acolhimento, aproximação de Deus. Significa também a saudação de despedida àquele que parte. No «adeus» separamo-nos do mundo onde fomos acolhidos e é sempre a outrém, ao outro, a começar pelos familiares e amigos, que devemos essa lembrança. A morte é sempre vivida por quem permanece vivo, como experiência misteriosa que abre as portas do infinito, porque quem parte, esse rosto agora transformado em máscara, por força de uma ausência que dói, de uma partida sem retorno, abre-nos ao mistério e à transcendência. Esse é o facto mais importante que decorre da nossa relação com a morte: pensar a minha vida como vida para o outro. Carregar o luto é carregar a “santidade do outro” ausente e abrir ainda m…

"A esperança da família": reflexão pós-sinodal na Universidade Europeia de Roma

Cardeal Müller, Dom Negri, Dom Melina e Constance Miriano juntos na mesa redonda organizada pela Universidade para falar sobre Família, Fé e Matrimonio.
A primeira fase do Sínodo terminou e agora é o momento das reflexões pós-sinodal, cuja tarefa é traduzir no tecido vivo da comunidade dos fiéis as instancias que emergiram durante a assembleia religiosa. Testemunho da fecundidade das ideias que emergiram do Sínodo foi a mesa redonda "A esperança da família - O Sínodo e depois", realizada em 21 de outubro, na UER- Universidade Europeia de Roma-, no âmbito dos encontros organizados pelos "Círculos Culturais João Paulo II". A mesa redonda foi introduzida por Antonio Gaspari, diretor editorial de Zenit, que, após as saudações habituais, apresentou os renomados palestrantes: Cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; Dom Luigi Negri, Arcebispo de Ferrara-Comacchio, presidente da Fundação Internacional João Paulo II para o Magistério da Ig…

Depois do Sínodo, surge uma ''minoria'' na Igreja

O Sínodo deixa a mensagem de uma Igreja que busca. Mas não como quem sabe aonde quer ir, não como quem prossegue às apalpadelas, não como quem perdeu a adesão à realidade, mas como quem não se cansa de "buscar o reino de Deus e a sua justiça" (cf. Mt 6, 33). Uma Igreja, portanto, que, consciente da sua própria inadequação e dos pecados dos seus membros, busca a cada dia uma única coisa: como ser mais fiel ao Evangelho de Jesus Cristo. O Sínodo extraordinário sobre a família terminou nesse domingo com uma liturgia eucarística e a beatificação de Paulo VI. Nesse sábado, três textos apareceram: a tradicional mensagem conclusiva, como saudação e gesto de partilha, enviado "a todas as famílias dos diferentes continentes e, em particular, àquelas que seguem a Cristo"; o relatório conclusivo, votado pelos bispos, com a inédita indicação dos votos favoráveis e contrários expressados para cada parágrafo, relatório que, por vontade do papa, torna-se também o documento prepara…

Papa no encerramento do Sínodo: "Esta é a Igreja, nossa mãe!"

Eminências, Beatitudes, Excelências,
irmãos e irmãs,
É com o coração cheio de reconhecimento e gratidão que gostaria de dar graças, juntamente convosco, ao Senhor que nos acompanhou e orientou ao longo dos dias passados, com a luz do Espírito Santo! Agradeço de coração ao senhor cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo, a D. Fábio Fabene, subsecretário, e, com eles, agradeço ao relator, senhor cardeal Péter Erdő, que trabalhou muito mesmo em dias de luto familiar, bem como ao secretário especial, D. Bruno Forte, aos três presidentes delegados, aos escritores, consultores, tradutores e pessoas anónimas, enfim a todos aqueles que nos bastidores trabalharam com verdadeira fidelidade, com dedicação total à Igreja e sem descanso: muito obrigado! Estou grato de igual modo a todos vós, amados padres sinodais, delegados fraternos, auditoras, auditores e assessores, pela vossa participação concreta e frutuosa. Rezarei por vós, pedindo ao Senhor que vos recompense com a abundância do…

Divorciados recasados: Afinal, um debate tão antigo como a Igreja

As notícias do que se passa no sínodo dos bispos dão conta de um debate acesso entre duas tendências que, afinal, vêm de muito longe no tempo.
O casamento cristão é indissolúvel. Este palavrão significa que nada, a não ser a morte, pode dissolver o vínculo que se estabelece entre marido e mulher. Embora o matrimónio tenha sido, desde os inícios do cristianismo, considerado indissolúvel, esta indissolubilidade conheceu sempre algumas nuances de interpretação – e da respectiva gestão pastoral. Ao contrário da sensação comum, a questão de como lidar com casamento-divórcio-recasamento, é tudo menos recente. Logo na era apostólica surgem diferentes sensibilidades e mesmo propostas de solução. O próprio Novo Testamento testemunha duas destas possibilidades. Segundo o Evangelho de Mateus, Jesus diz: “se alguém repudiar a sua mulher – exceto em caso de adultério – e casar com outra, comete adultério” (Mt 19, 9; cf. Mt 5, 32).

Sínodo da Família. Papa derrotado no primeiro round?

Vencido ou vencedor? Na véspera do final do sínodo da família, os observadores e vaticanistas desdobram-se em análises: como sai o pontificado de Francisco da grande reunião de bispos que quis reflectir sobre as novas formas de família?
Há já quem dê o argentino, que já demonstrou várias vezes o desejo de uma Igreja mais inclusiva, como derrotado - uma vez que os relatórios dos grupos de trabalho, conhecidos anteontem, descartam a possibilidade de qualquer mudança. Outros, porém, defendem que o Papa Francisco ganhou: nunca nenhum sínodo teve tanto mediatismo, chegando mesmo a ser comparado ao Concílio Vaticano II. Por isso, mesmo que os bispos e cardeais mais conservadores possam ter saído satisfeitos do sínodo, Francisco conseguiu que a ideia de que a Igreja está aberta à mudança corresse o mundo. Mas nenhuma análise pode ser linear.

Sínodo sobre a Família: a consciência do contraste

Passada a primeira semana de trabalhos sinodais, deixo uma resenha de pontos ventilados, como resumo rápido e pessoal do que vai acontecendo.  Lembro que a reflexão incide sobre “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”, não se detendo em alguns temas que têm polarizado a atenção mediática, como o que se refere aos “divorciados recasados”, ou às “uniões de pessoas do mesmo sexo”. Têm sido de facto abordados, mas não constituem o cerne da reflexão sinodal.  Esta incide sempre, direta ou diretamente, na família em geral – não apenas no seu núcleo conjugal – e no modo mais adequado de propor a respetiva visão cristã e de formar os crentes para a sua constituição e vivência.  Muito importante tem sido a presença cordial do Papa Francisco, bem como o foram as suas palavras iniciais, insistindo em que falássemos com grande franqueza (parresia) e ouvíssemos com humildade (cf. L’Osservatore Romano, 6-7 out. 2014, p. 12). E assim tem sido, com disponibilidade para falar e ou…

Sínodo das famílias: uma síntese dos assuntos abordados pelos bispos

A família, suas dificuldades, o desafio educativo e a educação cristã em situações difíceis…

“Há um caminho de reflexão sendo trilhado com serenidade, sabendo-se que as conclusões não são para os próximos dias; haverá outra reflexão antes do sínodo de 2015”, declarou hoje o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, pe. Federico Lombardi, ao comentar o andamento do sínodo dos bispos sobre a família, que entrou em seu quinto dia de reuniões. Estavam presentes hoje na Sala de Imprensa da Santa Sé, além do pe. Lombardi, os porta-vozes Rosica e Manuel Dorantes, respectivamente para os idiomas inglês e espanhol, bem como o casal norte-americano Alice e Jeffrey Heinzen e a jornalista e teóloga libanesa Jocelyne Khoueiry. “O papa Francisco chega e escuta, dando assim um grande testemunho”

Um sínodo sobre a Família para incomodar!

Todos os olhos estão postos no sínodo que o Papa Francisco promoveu. Muitas têm sido as reflexões e as discussões sobre os verdadeiros objectivos do sínodo. A partir do inquérito inicial começaram a vislumbrar-se as diferenças e as divergências. Para iniciar os trabalhos, o Papa Francisco convocou um consistório entre os dias 21 e 22 de fevereiro do corrente ano. A convite do Santo Padre, o cardeal Walter Kasper apresentou algumas propostas que reclamavam “uma aplicação realista da doutrina à situação atual da grande maioria dos homens e para contribuir para a felicidade das pessoas” (‘O Evangelho da Família’). Contudo, esta proposta recebeu duras críticas do cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. No jornal do Vaticano reafirmou a sua posição escrevendo: os que vivem num estado de vida contrário à “indissolubilidade” do Matrimónio estão impedidos de receber a Comunhão. Estava claro, desde o início, que o sínodo não ia ser fácil. Este é um sínodo para inco…

Cuidar da família também é uma forma de trabalhar na vinha do Senhor

Antes de rezar a tradicional oração mariana do Angelus com os fiéis presentes na Praça de São Pedro, neste domingo (5), o Papa Francisco falou que cuidar da família também é uma forma de trabalhar na vinha do Senhor. Apesentamos as palavras do Papa na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Nesta manhã, com a celebração eucarística na Basílica de São Pedro, inauguramos a Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Os padres sinodais provenientes de toda parte do mundo, junto comigo, viverão duas intensas semanas de escuta e de diálogo, fecundados pela oração, sobre o tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. Hoje, a Palavra de Deus apresenta a imagem da vinha como símbolo do povo que o Senhor escolheu. Como uma vinha, o povo requer tanto cuidado, requer um amor paciente e fiel. Assim faz Deus conosco, e assim somos chamados a fazer nós Pastores. Também cuidar da família é um modo de trabalhar na vinha do Senhor, para que produza os frutos do Reino…

Homilia do Papa Francisco na missa de abertura do Sínodo Extraordinário sobre a Família

"Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo"
Nas leituras de hoje, é usada a imagem da vinha do Senhor tanto pelo profeta Isaías como pelo Evangelho. A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados!
O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.
Mas, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços» (5, 2.4), enquanto Deus «esperava a justiça, e eis que só há injustiça; esperava a rectidão, e eis que só há lamentações» (5, 7). Por sua vez, no Evangelho, são os agricultores que arruínam

"Divórcio católico??"

O patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, é hoje o entrevistado do Programa ECCLESIA (RTP 2, 15h30), antecipando os temas que vão estar em debate na terceira assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada às questões da família. Segundo o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, que rejeita a ideia de um ‘divórcio católico’, a Igreja Católica tem de se preocupar com a “complexidade” humana. A assembleia sinodal que se inicia este domingo gerou “expectativas” na Igreja e na sociedade que D. Manuel Clemente diz “partilhar”. Um dos assuntos mais discutidos na opinião pública foi o do acesso à Comunhão pelos divorciados, em particular os recasados. Segundo o patriarca de Lisboa, a vida sacramental na Igreja Católica “tem de coincidir, na sua globalidade, com aquilo que Cristo propõe, não são atos desgarrados”. “Eu comungo se estiver em comunhão, para acrescentar a comunhão: se tenho na minha vida uma rutura grave, concretamente no campo do Matrimónio, como é que posso comunga…